
Riham, Amira e Jacky são marroquinas e lesbianas, e isso pode lhes custar caro. Até três anos de prisão, sem contar a exclusão familiar e os ataques físicos e verbais. Como viver seu amor em um tal clima? Uma só opção: a discrição. «Eu sempre senti que eu era atraída pelas garotas, conta Riham*, crepitante adolescente marroquina. Com a idade de 12 anos, eu encontrei uma amiga que era lesbiana e que ficou apaixonada por mim. Eu quis experimentar essa relação e eu me dei conta que meus sentimentos por ela eram reais… Foi minha primeira experiência.»
Uma experiência ilegal. No Reino cherifence, a homossexualidade é passível de três anos de prisão e a sociedade percebe com maus olhos as relações gays e lesbianas - as julgando proscritas pelo islã, a religião do Estado.
Difícil de se encontrar
Um paradoxo que pode se revelar frustrante. Muito frustrante. «Muitas lesbianas gostam de ir ao hammam só para ver as mulheres nuas. Pessoalmente, eu não gosto de fazer isso e eu não penso que o hammam seja um lugar para encontrar ou conhecer as lesbianas», explica Amira*, 19 anos.
Lesbianas invisíveis
Quanto à sexualidade, o Dr Mohamed Maidine, sexólogo em Casablanca, estima que as mithliya («lesbianas», em árabe) são melhor dotadas que os gays. «Uma garota pode se ir a casa de uma companheira sem que haja desconfiança sobre as relações sexuais», resume ele. Talvez por que essas relações são totalmente ocultas.
«O imaginário popular no Marrocos não visa que as mulheres possam ter uma sexualidade fora do homem.» Uma socióloga
Sequestros ou matrimônios forçados
Nesse contexto de repressão e de invisibilidade, algumas recusam sua sexualidade – como resultado graves problemas psíquicos. Riham e Amira escolheram conciliar, bem ou mal, sua religião e suas sexualidade. Mas sem sair do armário ou confirmar as dúvidas dos seus. Pois, além da prisão e a exclusão familiar, aquelas que quebram a ordem estabelecida ou são denunciadas arriscam a discriminação, as troças, os ataques físicos ou verbais. Além da violência: «Os próximos podem encerrar a filha em casa ou considerar que sua sexualidade é um pecado e a obrigar a se casar para resolver o problema», conta Jacky, 23 anos.
Comunidade em linha
Menna w Fena, emanação do grupe LGBT Kifkif, precisamente de formou para fazer compreender que a homossexualidade «não é uma deficiência sexual das mulheres». Seu site propõe diversas informações, um espaço de discussão e uma assistência telefônica na terça-feira a noite – inacessível cada vez que TÊTUE discou o número.
Partir ou lutar
Quanto a Riham, ela se sente mais serena. É preciso dizer que seu segredo pesa bem menos pesado depois que seus amigos a apoiam. «No início, eles ensaiavam de me dizer que o que eu sentia não era verdadeiro, que isso não era uma boa estrada, que é une crise da adolescência. Hoje, eles aceitam minha sexualidade e me perguntam mesmo como isso se passa com minhas companheiras!»
*O prénome foi mudado
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