
Carta de Protesto
ALTAMIRA 26 DE FEVEREIRO DE 2009
Em Altamira – Pa, uma garota teve que abandonar o colégio por que a
direção cismou sua amizade com outra garota. A diretora juntamente
com a psicóloga da escola (CEGD) sugeriram à mãe da adolescente (R.B,
17anos) que a levassem a um psicólogo para fazer tratamento, pois a
menina mantinha comportamento estranho ao se relacionar com outras.
Alegaram que a aluna era doente e precisava de tratamento psicológico,
e como se não bastasse teve rematrícula negada.
Podemos afirmar que um indivíduo – salvo aqueles que não foram
inseridos no sistema educacional por falta de oportunidade e/ou por
impossibilidade – passa cerca de 10 anos no ambiente escolar na
tentativa de adquirir graus de escolaridade e talvez um pouco de
cidadania. Mais ou menos entre 07 e 17 é o período de várias
transformações corporais e mentais. Portanto, não é leviano assumir
que boa parcela da personalidade do garoto ou garota vem desse
ambiente. É na escola que eles desenvolvem suas habilidades sociais e
começam a compreender o conceito de sociedade.
A escola não é um sistema fechado, pelo contrário, traz para si uma
importante carga de experiências do mundo externo. Entenda-se que
desse mundo, como não isento disso, cargas negativas também virão como
os vícios do mundo lá fora.
Esse ambiente ao qual nos referimos muitas vezes oprime a juventude
mesmo não intencionalmente. O jovem historicamente é visto como
símbolo de transgressão e rebeldia (justificadas ou não), assim,
historicamente também é penalizado por isso. Nesse contexto, uso de
drogas e sexualidade são os temas mais preocupantes entre professores
e diretores. Por mais preocupados e empenhados que sejam/estejam,
nenhum professor ou diretor em sã consciência admitiria o preconceito
se o caso fosse, por exemplo, de homossexualidade, assim como a
maioria da população diz não ser racista, mas seus atos mostram o
contrário.
A homossexualidade não é novidade nem nunca foi moda, ao contrário do
que muitos conservadores pensam e ainda repugnam. É fato! No ambiente
escolar não seria diferente. O que se percebe em muitas escolas, local
onde deveria haver proteção e amparo – e uma maior compreensão já que
se discute cidadania, direitos e igualdade –, garotos e/ou garotas
homossexuais sofrem diariamente discriminação. Não raro, garotos são
expulsos por trocar carícias no corredor (um caso detectado em
Manaus). Em Altamira – Pa, uma garota teve que abandonar o colégio
por que a direção cismou sua amizade com outra garota. A diretora
juntamente com a psicóloga da escola (CEGD) sugeriram à mãe da
adolescente (R.B, 17anos) que a levassem a um psicólogo para fazer
tratamento, pois a menina mantinha comportamento estranho ao se
relacionar com outras. Alegaram que a aluna era doente e precisava de
tratamento psicológico, e como se não bastasse teve rematrícula
negada. Procuramos a direção da escola e os mesmos se recusaram a dar
maiores informações sobre o assunto. "Mais importante que considerar a
homossexualidade um problema psicológico, passível de ser tratado, é
educar a população para respeitar as individualidades. Diferenças não
são escolhas, e sim tendências que fazem parte da natureza das
pessoas", por isso o aluno e os pais podem (e devem!) procurar uma
assessoria jurídica, de preferência grupos que respondam pela
categoria como grupos gays da sua cidade e partir pra cima!
Discriminação, mesmo dentro da escola, já é crime no Brasil. O Artigo
232 do Estatuto da Criança e do Adolescente diz: “Submeter criança ou
adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a
constrangimento: Pena – detenção de seis meses a dois anos”. Esse
artigo é muito sério. Bem administrado, ele praticamente criminaliza a
homofobia quando praticada por um pai ou um professor contra um
adolescente. Alguns professores mal (in)formados são incapazes de
discutir o assunto, mas devemos mudar essa realidade curricular e a
atuação profissional em sala de aula. Podemos denunciar atitudes
antiéticas desses profissionais no Ministério da Educação, nos órgãos
representativos de classe, no Ministério Público Federal ou Estadual,
ou seja, rompa esse silêncio. A escola pode ensinar teorias, mas não
como você vai expressar a sua sexualidade.
Não podemos deixar IMPUNE a atitude preconceituosa e discriminatória
dessa instituição de Ensino.
QUEREMOS JUSTIÇA DAS AUTORIDADES
Seus Direitos, Nossos Direitos, Direitos Humanos - Direitos Iguais!
Nem Mais, Nem Menos.
Grupo Homossexual da Transamazônica e Xingu
Publicação: Revista G Magazine, Folha de São Paulo, Diário do Pará,
Folha do Tocantins, Jornal Estado do Carajás.
Informações adicionais: humbertofesta@hotmail.com


